quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Desencanto

Porque hoje estou assim: desencantada da vida...


                                                                                                               (Imagem: Reprodução)

"Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.


E nestes versos de angústica rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre."

(Poema de Manuel Bandeira, da obra "Antologia Poética", da editora Nova Fronteira)

domingo, 15 de outubro de 2017

Sou professor

Nas belas e comprometidas palavras de Paulo Freire*, homenageio todos os meus colegas professores, pelo seu dia.

                                                                                     (Foto: Carlos Antolini)
"Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo.
Não posso ser professor a favor de quem quer que seja e a favor de não importa o quê. 
Não posso ser professor a favor simplesmente do homem ou da humanidade, frase de uma vaguidade demasiado contrastante com a concretude da prática educativa. 
Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda. 
Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais. 
Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura. 
Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo. 
Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza. 
Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar, se não brigo por este saber, se não luto pelas condições materiais necessárias sem as quais meu corpo, descuidado, corre o risco de se amofinar e de já não ser o testemunho que deve ser de lutador pertinaz, que cansa mas não desiste. Boniteza que se esvai de minha prática se, cheio de mim mesmo, arrogante e desdenhoso dos alunos, não canso de me admirar.”
                                                                                             (Foto: Carlos Antolini)
(*Paulo Freire em Pedagogia da Autonomia, São Paulo, Paz e Terra, 2011).

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Dia Mundial do Escritor

                                                                                                       (Imagem: Reprodução)
Eu era pequena e já gostava de escrever. Ouvia e lia muitas histórias. Criava os cenários na cabeça. Dava forma aos personagens. Imaginava. Sonhava. Inventava. Desde cedo, aprendi a sentir prazer nessa aventura.

O lápis foi substituído pela caneta. Depois, pela máquina de escrever. Agora, pelo computador. Mas as palavras, as ideias e a inspiração acompanharam-me através dos tempos. Só avolumaram-se.

O vocabulário cresceu, mas não ficou pedante. As ideias ganharam fundamento nos estudos e nas experiências. E a inspiração continuou a vir da própria vida... Ganhou, talvez, mais cor, mais graça, mais sentimento. Talvez algum endurecimento...

Escrever é articular palavras, é construir, no papel ou na tela, sentidos de pensamentos. Traços que viram textos. Textos que nos dizem nas linhas e entrelinhas. Escrever é um desafio bom.

Cada um escreve de um jeito. Tem seu próprio estilo, sua forma, seu contexto. Eu não faço poesias, embora as aprecie. Mas gosto de rimas, de ritmo, de sonoridade. Então aproveito os recursos nos meus textos. Gosto do resultado.

Tenho dificuldade em escrever sobre encomenda. Faça isso. Tantas linhas. Fale sobre aquilo. Tantas laudas. Aliás, colocar qualquer escritor na gaveta é abominável! Pois é assim que sinto-me quando sou pressionada. Faço o solicitado buscando a qualidade, mas sinto-me profundamente insatisfeita. O escritor deve ser o senhor absoluto da sua ação de escrever!

Escrever é arte. Escrever é ofício. Escrever é lazer. É divã. É um jeito de dizer da vida. É um jeito de ensinar. E aprender. Escrever é o que amo fazer.

Hoje é o Dia Mundial do Escritor. E, para todos eles, o meu carinho e o meu reconhecimento. Com o seu trabalho, encantaram o mundo e o tornaram melhor para se viver! Sem dúvida.

(Post dedicado a Orígenes Lessa e Monteiro Lobato, grandes influenciadores meus.)

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Dia daquelas que só querem brincar...


Eu brinquei do que eu quis. Adorava um brinquedo! Bonequinhas de papel, panelinhas, jogo da memória, patinete, bichinhos de pelúcia. Eu era uma brincalhona!

Nem conhecia o conceito de reaproveitamento, mas já o praticava, inventando brinquedos com tampinhas de creme dental, de refrigerantes, caixinhas vazias, trecos em geral. Naquela época, a indústria de brinquedos não era muito diversificada, o que nos estimulava a criar alguns.

Ninguém se preocupava se eu estava brincando com brinquedos específicos para meninas ou para meninos, porque essa preocupação é invenção da modernidade. Criança, naquela época, podia brincar do que quisesse. E eu, como tinha muitos primos e primas, brincava com tudo, de tudo.

Bang-bang, comidinha, polícia e ladrão, casinha, pique-bandeira, pular corda, amarelinha... Meus primos eram os pais e nós, as primas, as mães dos nossos bonecos. E a gente inventava muitos enredos para as brincadeiras! Meninos pegavam nas bonecas e ninguém se assustava com isso. Muito menos nós.

Tive muita sorte em ter sido criança na época em que se podia ser apenas criança, com total liberdade para brincar e sonhar. Apesar da tristeza de ter perdido meu pai aos sete anos, a infância continuou regada de fantasia e permissões. 

Contemplo a infância de hoje, que ainda traz a mesma vontade ingênua de outrora: de brincar, experimentar, ser feliz. Criança que brinca com caixa vazia, com toquinho de lápis, com resto de comida no prato... E em suas mãos colocam jogos eletrônicos e outros aparelhos tecnológicos. E em sua cabeça criam necessidades de consumo desenfreado. E as fantasiam de "adultos", gerando pensamentos e necessidades fora de hora! 

O que estão fazendo com nossas crianças???
  
E, como hipócritas, questionam se meninas podem brincar de carrinhos e meninos de bonecas! Quanta hipocrisia! Criança é criança. Brincando, experimenta a vida. Brinca do que quiser. Afinal, meninas, um dia, terão seus carros... E meninos segurarão seus filhos no colo... Tudo faz parte da vida. De ambos. 

As verdadeiras e justificadas preocupações dos pais devem ser outras. Se estão protegidos. Se estão tendo acesso à educação e à saúde. Se tem amigos. Se estão vivenciando uma infância sadia. Se são felizes. Se terão direito a um futuro de qualidade. No mais, é conversa fiada de quem não entende nada de criança e deve ter tido uma infância bem ruim... O que eu lamento muito.

No Dia das Crianças, brinque com seus filhos. Seja parceiro e presente em suas vidas. Participe. Esteja aberto ao diálogo. Isso sim fará muito mais diferença do que o uso de qualquer brinquedo. A boa referência é fundamental na educação de uma criança. Especialmente a dos pais.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Com quem você pode contar?

                                                                                    (Foto: Amanda Andrade /@Loora_Andrade)

Na sua relação conturbada com o mundo, com quem realmente você pode contar? Mães, na maioria das vezes, e irmãos. Amigos, também. Vizinhos, muitas vezes. Desconhecidos, dependendo da situação, também fazem a diferença.

Não vivemos sós. Não estamos sós. O mundo machuca, precisamos gritar e sermos ouvidos. Um ombro amigo sempre ajuda. Um colo. Uma mão estendida. Somos tão humanamente falíveis...

O choro explode pela garganta. Jorram-se lágrimas. Desespero. Destempero. Perde-se o passo. Descompasso. É preciso parceria para ajeitar as coisas. Até aquelas lá de dentro... Do peito.

E a gente, para não se perder, pede ajuda. Vai em busca de quem sabemos com quem podemos contar. E essas pessoas, geralmente, não falham. Nossos portos seguros. Estão sempre lá, firmes. Prontas para, num abraço, aconchegar e firmar-nos o passo, de novo, no rumo certo.

Conto com poucas pessoas, mas são certas. E muitos podem contar comigo. Não viemos nesse mundo à passeio. Viemos servir. Ainda bem. Porque precisamos. A união fraterna e solidária é condição básica da nossa existência.

Deixemos rusgas e desavenças banais para os menos inteligentes. Gente esperta sabe que o frio sempre nos baterá a porta e, em algumas vezes, nossos cobertores não bastarão... O melhor calor é o que vem do abraço! Calor humano.

Quem sabe não é chegada a hora de praticar o perdão e aproximar-se de quem está distante? 

                                                                                                                                               (Imagem: Reprodução)

sábado, 7 de outubro de 2017

Se há amor...

                                                                                                               (Imagem: Reprodução)

Porque gosto de pessoas assim... Daquelas que fazem bem só de estarem perto da gente. 

Ando carente de proximidades...

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Oração de São Francisco de Assis

(Imagem: Reprodução)

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

(Foto: Cecília Marafelli)


domingo, 1 de outubro de 2017

Outubro é sempre rosa!

Mulheres, cuidem-se.

O laço rosa é para lembrar que a luta continua contra um inimigo silencioso e muito perigoso: o câncer de mama. 

Descoberta no início, a doença apresenta alto índice de cura. Portanto é preciso que estejamos sempre alertas.

DoceDeni apoia essa causa.

sábado, 30 de setembro de 2017

A vida e sua lógica

                                                                                                           (Créditos na imagem)
Por isso mesmo não desista.

Porque depois de um dia ruim, sempre virá um dia melhor. E nos encontrará bem mais fortalecidos...

Pode acreditar.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Encantos e desencantos

                                                                                                                       (Foto: Reprodução)
A gente segue pela vida acumulando experiências e aprendizagens. Mas não está sozinho. E é, exatamente, nessas relações com os outros que vamos adquirindo nossa bagagem.

Para temperar nossas ações e reações, contamos com um leque de sentimentos à disposição, que ora nos faz rir, ora nos faz chorar, ora nos faz chorar de rir...  Porque nada é muito claro, nem definido, nessa área. Tudo é muito pessoal e determinado pelo que vamos construindo com o que vivenciamos.

Amamos loucamente e levamos um chega para lá de quem nos era mais caro. Recebemos um gesto de carinho daquele que nunca esperaríamos. Porque as pessoas nos surpreendem. Quase todas. São surpreendentemente imprevisíveis.

Apostar numa relação é praticamente queimar a mão no fogo. Melhor não arriscar e apenas viver os bons momentos do presente, porque é ele o que realmente temos. A decepção caminha lado a lado com a expectativa, em retas que não são paralelas...

Pior que o desencanto com o amor é com uma boa amizade. Penso que é mais doída. O amor é chama que arde e, muitas vezes, inflama e queima rapidamente. Se esvai. Quanto a amizade, espera-se mais. Cumplicidade. Afinidade. Companheirismo. Fidelidade. Se não vêm, a gente decepciona-se por inteiro e fica procurando entender o que houve. 

Acontece que as relações são vias de mão dupla. Até as amizades. Pode-se dedicá-la a alguém que não nos dedica o mesmo sentimento em reciprocidade. Daí a possibilidade de uma decepção, da falência de uma amizade que, verdadeiramente, nunca existiu. Difícil saber...

A gente só sabe mesmo é que viver é colecionar encantos e desencantos. E que deve-se aprender, o mais rápido possível, a descartar aquilo - e aqueles - que não merecem o nosso sofrimento, para seguir a diante. 

Viver vale a pena. Viver vale o risco.